Sábado, Janeiro 15, 2005

Nos bastidores do só love II: dentro ou fora do carro?

Acharam que eu tinha abandonado este blog? Quem pensou isso está parcialmente certo. Eu estava realmente disposto a dar um fim no pobrezinho até virar nerd de novo e recuperar o pique de escrever nele. Mas vejam só... A minha relação com este espaço é algo assim de amor e ódio. Sempre achei que no blog eu posso me expressar mais livremente, mas é também onde estou mais sujeito a ouvir chatos se metendo na minha vida. Pensando bem, a vida normal não é muito diferente disso.

Mas a reflexão existencial bloguística não é o principal tema desse texto. Como este humilde escriba antecipou há alguns meses, darei continuidade à série de reportagens sobre os bastidores do submundo do sexo numa metrópole amazônica.

Como nem todo mundo tem as manhas de invadir a área restrita dos motéis ou mesmo tem dinheiro para pagar um, é necessário se registrar também de que jeito os desprovidos de grana fazem o oba-oba. É claro que a opção mais popular ainda são aqueles estabelecimentos que seus pais e avós chamariam de rendez-vous e os Cascavelettes qualificaram como "motelzinho tipo pensão". Quartinhos baratos no centro da cidade, que só oferecem como diferencial positivo a tranca na porta e olhe lá.

Mas tem uma maneira ainda mais barata e urbana. No cinema americano, os drive-ins são lugares onde você assiste a um filminho e não dá muita coisa além de beijinhos na sua garota dentro do carro. No Brasil de hoje, você pode fazer tudo o que a privacidade de três paredes e uma cortina permite.

Para investigar mais sobre essa forma de diversão e poder esclarecer aos meus leitores, fui por conta própria a um drive-in numa das áreas mais movimentadas de Belém. Pra vocês terem uma noção de como é movimentado, o lugar fica encravado entre uma boate e três lanchonetes super procuradas por quem faz farra na capital paraense. É onde todo mundo mata a noite.

Pois bem. Uma placa logo de cara avisa: taxa - 10 reais. Você paga dez mangos e fica quanto tempo quiser. Ótimo para quem não quer pagar os motéis caros dos bairros mais próximos do centro e nem tem carro ou grana pro táxi para ir aos mais distantes.

No momento em que adentro o recinto, percebo que a clientela não se faz só de durangos. Peugeots e Citroens entram e saem dos boxes a todo momento. Logo percebo também o primeiro diferencial de mercado deste drive-in. Vejo casais entrando e saindo a pé, com a naturalidade de quem faz compras no mercado do Ver-o-Peso. "Mas um drive-in não é um lugar pra mandar ver dentro do carro?", você pode perguntar. Bang! Errado! Pelo menos neste aqui, os boxes são equipados de uma forma minimalista-fuleira. Debaixo de uma cobertura de zinco, um sofá com estofado fino, mesa, dois bancos e ventilador. O banheiro é um caso à parte. Em alguns boxes, o chuveiro fica do lado de fora, para um banhinho ao ar livre. Ah, as toalhas são cobradas à parte - 1 real.

Na verdade, tudo o que você faz dentro do boxe é como se fizesse ao ar livre. O apaixonado casal que encarar essa aventura está totalmente vulnerável a pegar uma friagem, como dizia vovó. Isso sem falar nos barulhos que se propagam por ali. Tem neguinho mal educado que liga o som do carro para criar um clima com a gata, e acaba incomodando geral os vizinhos de trepada. Na pesquisa de campo que fiz para esta reportagem, um indivíduo uns quatro boxes ao lado encasquetou de amaciar a garota dele tendo um CD acústico do Calcinha Preta como trilha sonora.

E antecipando a sua pergunta - sim, é possível ouvir gemidos. Mas em duas condições: 1) se a pessoa emissora de tais ruídos for extremamente barulhenta. Ou 2) se você estiver mais concentrado no ambiente à sua volta do que no propósito de sua ida ao drive-in.

Após o fim da visita, percebo que a palavra drive-in não é adequada para este estabelecimento em especial. Trata-se, de fato, de um grande motel popular. É como se fosse um integrante da rede Accor do sexo, em que o conforto é substituído pela funcionalidade e pela economia. É aquela coisa: você vai a um motel para tomar banho na hidromassagem ou para transar? É claro que em ocasiões especiais, nada como um belo lugar confortável para encher sua garota de mimos. Mas se os dois estão com sérias restrições orçamentárias, não tenha constrangimento em sugerir a ela uma ida à arena do sexo ao céu aberto.

-- posted by Leonardo at 1:45 PM | |

Sábado, Novembro 27, 2004

Vou dar uma de ditador e publicar os relatos da opção 2, por mais que não tenha havido quórum suficiente ainda. Trata-se de uma decisão estritamente jornalística, afinal o Prêmio Cultura de Música é factual, diferente dos drive-ins, que não vão sair do lugar a não ser que haja um mega tsunami na Baía do Guajará.

Era uma quinta-feira de lua cheia. Uma noite fresquinha para os padrões de Belém, por volta de 27 ou 28 graus. O Theatro da Paz, um dos mais importantes palcos da Amazônia, viveu o seu dia de Radio City Music Hall. Tinha tapete vermelho, belas recepcionistas, trofeuzinhos, discursos piegas e formalidades. Tudo isso para enaltecer a festa idealizada pelo presidente da Funtelpa, Ney Messias, que, dizem as más línguas, ia chegar de limusine. Não vi e nem ouvi testemunho algum a respeito disso. Talvez seja um fato que vá ficar sempre com o status de lenda.

Na entrada, gente chique com poucos fotógrafos para registrá-los e compor ainda mais o cenário de Hollywood. Estranheza mesmo foi ver um monte de músicos, acostumados a estar vestidos do jeito mais tosco possível, fantasiados de pingüim, com smokings alugados pela Funtelpa. Isso é que é dinheiro bem aplicado...

A cerimônia começou com mais de uma hora de atraso. Ney Messias (com um cabelo cheio de tranças rasta, mezzo predador, mezzo Seedorf) desbaratou a classe musical, dizendo que "festa de músico atrasa mesmo". No mais, chatice à beça. Teve discurso de secretário de estado representando o governador e um vídeo clip com o hino nacional sendo desconstruído em ritmo de carimbó e retumbão. Não precisava. Ainda mais com a cara torta do Marco André cantando.

Daí pra frente as coisas foram meio chatas. Almirzinho Gabriel foi quem mais ganhou prêmios: três no total. Simone Almeida e Arraial do Pavulagem ganharam dois. Mas em vez de contar essa história (que todos os jornais publicaram), melhor ir direto aos highlights.

Grandes (?) momentos:

Enquanto Pinduca canta no palco, o telão onde eram projetados os vídeos com os finalistas vai descendo devagar. Toda a platéia grita "oooooh", até que o equipamento dá uma espécie de cachuleta no chapéu do rei do carimbó.

Elói Iglesias caracterizado como um híbrido entre Marilyn Manson, o Coringa do Batman e o Freakazoid com o rosto pintado de branco, maquiagem vermelha ao redor dos olhos e penas vermelhas na cabeça num formato moicano.

Uma sinfonia bregueira. Edilson Moreno (fazendo air guitar), Kim Marques, Jade (da Banda Sayonara) e Gaby (da Tecno Show) cantando Waldemar Henrique e acompanhados pela orquestra da Fundação Carlos Gomes. O melhor show da noite. Sério.

Os "intocáveis" Lucinha Bastos, Nilson Chaves e Marco Monteiro provocando bocejos na platéia numa apresentação entediante.

Almirzinho Gabriel sendo quase vaiado ao aparecer no telão em mais uma categoria, depois de ter ganho em outras três.

Grandes frases:

"O Santana é meu!", de Elói Iglesias, ao se comparar com uma Rainha das Rainhas do Carnaval recebendo o prêmio de melhor disco.

"Viva o sexo!", da até então tímida Suzane, do Suzana Flag.

"Mulher, te prepara prum futebolzinho quando eu chegar em casa!", de Ronaldo Silva, cantor do Arraial do Pavulagem, elaborando a mais fantástica metáfora para o sexo.

"Convidem o brega mais vezes pra participar de festas como essa, que a gente gosta", da emocionada Gaby, vocalista da Tecno Show e sósia da Preta Gil nas horas vagas.

"A Amazônia não é o pulmão do mundo, mas o sexo do mundo", de Almirzinho Gabriel, ao definir a maior floresta do planeta como uma grande buceta.

"A 'Naza' é a sacanagem do Círio", do inspiradíssimo Almirzinho Gabriel, ao promover a sua música "Zouk da Naza" ao status de hino profano do Círio de Nazaré.

-- posted by Leonardo at 2:45 AM | |

Quarta-feira, Novembro 24, 2004

Voltei. Desculpem desde já o mau humor do post anterior. Passei por um tempo meio rabugento mesmo, e com razão. Foi quase um mês sem emprego. E quem me conhece sabe que isso significa pra mim um doloroso golpe na minha auto estima.

Mas os bons tempos voltaram. O trabalho reapareceu. E, quem sabe, o humor e o tempo suficientes para escrever com mais frequência também.

Tô com vontade de fazer mais uma intrépida reportagem para este blog. Isso aqui não é o Fantástico, mas vou deixar que vocês leitores escolham o que querem ler.

Opção 1 - A continuação da série "Nos bastidores do só love", desta vez com os bastidores de um drive-in. O lugar mais barato para praticar a nobre arte de amar. As lazarentices e as coisas engraçadas de um lugar onde dizem que, apesar do nome, você pode entrar sem carro.

Opção 2 - A caboquice e os detalhes sórdidos de uma premiação glamourosa em Belém do Pará. A entrega do Prêmio Cultura de Música é nesta quinta, 25, e vai ter ares de Oscar: tapete vermelho, neguinho de smoking, mulherada de vestido longo. Ouvi dizer até que o presidente da Funtelpa iria alugar limusine.

Escolham aí.

-- posted by Leonardo at 10:58 PM | |

Quarta-feira, Novembro 10, 2004

Odeio blogs, odeio blogueiros, odeio a etiqueta dos blogs, odeio o Blogger, odeio textos de blogs, odeio ter de manter um blog e, acima de tudo, odeio o meu blog.

-- posted by Leonardo at 2:00 AM | |

Terça-feira, Outubro 26, 2004

Apenas um devaneio sobre trabalho

Outro dia reencontrei uma colega dos tempos de faculdade. Disse que estava trabalhando numa empresa que terceiriza serviços de assessoria de comunicação, no departamento de clipping. Ela estampava um belo sorriso ao comentar sobre o que fazia.

Depois que me despedi, fiquei encasquetado pensando na vida (ando muito reflexivo ultimamente, sabe-se lá por quê). Os jornalistas, pelo menos aqui em Belém, são meio segregados entre os que seguem a carreira nas assessorias e os que seguem carreira nas redações. Pertenço, obviamente, ao segundo grupo. E estou mais acostumado com colegas que têm aquele perfil boêmio - neguinho que fuma horrores, não arranja pretexto para uma cervejada e, por último mas não menos importante, ganha mal pra caralho.

Do outro lado, estão os assessores que sempre estão bem vestidos, são mais polidos no linguajar e nos atos, mais chapa-branca e, inevitavelmente, ganham mais dinheiro. Isso porque exercem cargos de confiança das empresas, ao contrário de repórteres, que mal merecem a confiança de familiares e namoradas(os), e vivem para detonar os peixes graúdos.

Aí fiz um link com a situação da minha colega de curso. Não sei se me sentiria bem se estivesse no lugar dela. Quatro anos de faculdade para trabalhar cortando jornal e transcrevendo matérias de TV e rádio. Que fique claro: não estou desmerecendo emprego algum, mas eu preferiria trabalhar como balconista de locadora de vídeo ou loja de CDs. Ou, quem sabe, como vendedor numa livraria.

Quando eu era criança, tinha uma profissão dos sonhos: detetive. Eu via os desenhos animados e filmes e me impressionava com a vida dos investigadores e com a inteligência deles. O tempo passou e acabei optando pelo jornalismo, que em alguns momentos não deixa de ser uma forma um pouco mais legítima de investigação. Mas não descarto uma pequena guinada na minha vida para realizar esse sonho de criança. Um curso de detetive? Um concurso de agente da Polícia Federal? Quem sabe... Eu mesmo não sei. Só sei que cortar jornal não é a minha.

-- posted by Leonardo at 2:50 PM | |

Quinta-feira, Outubro 07, 2004

Nos bastidores do "só love"

Quem já foi a um motel que não era algo assim cinco estrelas já ficou noiado com uma coisa. A falta de isolamento acústico no apartamento faz com que qualquer passo dado do lado de lá da janelinha por onde passa a conta seja ouvido dentro do ambiente onde rola o "só love". Quantas vezes a sua garota não ficou incomodada com aquilo? Ou você mesmo, será que nunca soltou um "caralho, não pára de passar gente aí fora?". Nos motéis de maior porte, até barulho de vozes no rádio se escuta. Nos mais direcionados ao povão, é possível participar involuntariamente de diálogos na saleta de espera.

E foi para matar sua curiosidade (e a minha também) que este investigativo blog foi a fundo no submundo das casas do amor. Mais especificamente em um motel da região metropolitana de Belém. Não interessa o que aconteceu antes ou depois dos fatos descritos nesta reportagem, o certo é que invadi o famoso corredorzinho. É o lugar onde a vida pulsa, vai e vem. Mas sem conotação sexual.

Assim que ultrapassei a fronteira entre o prazer e o trabalho em função do prazer dos outros, me impressionei com a quantidade de pessoas que ali prestavam serviços. Vi cerca de doze funcionários, entre camareiras e auxiliares de gerência. Todos sempre sérios, sem nenhum vestígio de má intenção nas expressões faciais. As senhoras pareciam limpar quartos de apartamentos de família. Os rapazes pareciam levar e trazer bebidas para consumidores de restaurantes classe média.

O corredor é estreito e comprido. Menos de dois metros de largura e uns duzentos de extensão, pelo menos. Parece um grande depósito. No meio do caminho vejo armários com toalhas e lençóis, engradados de cerveja e refrigerante, máquinas de cartão de crédito, cestões de lixo, roupas de cama sujas e emboladas e as pessoas circulando de um lado para o outro. Todo mundo se comunicando por rádio. "Está liberada a suíte imperial?", "Não tá passando o cartão nessa máquina" e "Checa o consumo do 210" são algumas das mensagens que consigo ouvir. Não escutei barulho nenhum vindo de dentro dos quartos. Ou eram pessoas quietinhas demais ou aquela noite não estava muito movimentada.

Continuando a minha caminhada, passo por portas abertas e vestígios de transas recém-consumadas. Camas desarrumadas, copos de uísque pela metade (que desperdício!) e sujos de batom. As camareiras recolhem do lixo camisinhas usadas, preenchidas pelo líquido da procriação. Algumas das senhoras parecem não vivenciar pessoalmente há muito tempo a causa daquele dejeto seminal.

Uma da parte mais interessante desses bastidores é a sala da gerência. Num cômodo de aproximadamente 3 por 3, fica a administradora de plantão. Ela toma conta do caixa, fecha as contas dos clientes e cuida da programação audiovisual que os apartamentos recebem. Na saleta estão dois videocassetes, três DVDs e três monitores de TV. Num deles passa um jogo do campeonato brasileiro. No segundo, um show da Banda Calypso. No terceiro, algo mais condizente com o ambiente: o filme "Orgias na Escola". No mesmo rack, está um aparelho de MD em que as famosas músicas de motel tocam a noite toda. E tome "Slave to Love" no repeat... A supervisão é de uma simpática balzaquiana que gerencia tudo aquilo como se cuidasse de uma escola infantil. Na geladeira que também está na sala, ela aparece em três fotos grudadas com aqueles ímãs típicos. Numa delas, uma criança apaga velinhas de aniversário. Parece ser filha da gerente. Outra das fotos parece registrar uma outra festa de aniversário, só que comemorada no corredor do motel! Se os clientes podem festejar de um lado da parede, por que os funcionários não poderiam festejar do outro?

E é assim que termina este relato. Gostaria de poder entrar em mais detalhes sobre a personalidade daqueles que trabalham para que você possa ter todo o conforto na hora de amar ou dar uma puladinha de cerca. Só que minha presença nos bastidores do motel foi motivo de olhares desconfiados. É totalmente incomum deixar que os clientes acessem a área dos empregados. Plenamente compreensível. Afinal, se os funcionários invadissem seu espaço, você provavelmente não os receberia com naturalidade. É na base do cada um na sua que se ganha a freguesia.

-- posted by Leonardo at 7:21 PM | |

Sexta-feira, Setembro 24, 2004

Este é um dos melhores textos sobre futebol que já escrevi. Publiquei originalmente hoje mesmo no De Primeira, mas a situação permite que eu o traga para cá. Afinal amanhã é o dia de um dos jogos mais importantes da história do meu time. Espero que gostem da crônica.

Amar é...

É muito fácil amar uma mulher gostosa. Daquelas que vivem fazendo ginástica e envelhecem sem precisar de plástica ou botox. Se ela for inteligente e tiver senso de humor, a tarefa se torna ainda mais simples. Bastam dois minutos de conversa para você achar que ela é o amor da sua vida. Mas ninguém ama mais do que aquele que ama uma baranga. Uma daquelas que um dia já foi magrinha e teve corpinho de violão. Um amor que sobrevive ao bucho, à celulite, à menopausa, às rugas e aos cabelos brancos é mais sincero que qualquer outro.

O mesmo raciocínio vale para o futebol. Não há torcedor mais admirável que o do time que nunca ganha. Aquele que está presente na derrota e no desgosto, até porque não tem outra opção. Uma paixão clubística que sobrevive a goleadas sofridas, jejuns de títulos, rebaixamentos e outras humilhações é nobre. Bem diferente da admiração por um clube da moda, daqueles que ganham tudo e mais um pouco, atitude digna de repulsa e típica de patricinhas ou rapazes que não gostam de futebol.

Considero o meu amor pelo Clube do Remo um sentimento merecedor dessa nobreza a que me refiro. Talvez seja mais que um sentimento. Uma virtude, provavelmente. Afinal, é difícil explicar essa paixão àqueles que não a sentem. Parece improvável se envolver tanto com um clube que está longe da elite do futebol brasileiro e nem ostenta títulos importantes fora do âmbito estadual. Melhor não tentar entender.

As glórias remistas são modestas. Temos 40 títulos estaduais, o mesmo número do nosso maior rival. Fomos pentacampeões entre 1993 e 1997, a maior seqüência de títulos da era profissional do futebol paraense. E passamos quatro anos e seis meses sem perder um clássico sequer para aquela coisa do outro lado da Almirante Barroso que atende pelo nome de Paysandu. Perto do que o time listrado conseguiu nos últimos anos é quase nada. Mas quem se importa? O amor tem razões que a própria razão desconhece.

Tenho algumas lembranças do início da minha saga como torcedor do Filho da Glória e do Triunfo (reparem que até o apelido é pomposo). Muitas são boas. O tricampeonato entre 89 e 91, conquistado pela equipe que recebeu a alcunha de Esquadrão Cabano. A vitória de 5x2 sobre a Portuguesa, que garantiu a classificação para a fase final do Brasileirão de 93. A goleada de 5x1 sobre o Cruzeiro em pleno Mineirão, em 94. O golaço do Rogério Belém nos 4x0 em um dos Re-Pa do Parazão 96. O pentacampeonato. Cada jogo do tabu sobre o Paysandu. A campanha 100% do título estadual em 2004. A classificação para a fase final da Copa João Havelange com uma virada espetacular em cima do Paysandu. As chuvas que eu peguei na arquibancada do Baenão lotado. Ufa...

Mas há, provavelmente, mais lembranças ruins. As eliminações da Segundona quando o acesso parecia ser inevitável, em 89, 95 e 96. Os anos em que quase caímos para a Terceirona e nos salvamos na última rodada, como em 97 e 99. O gol contra de Castor que nos eliminou da Copa do Brasil de 96 nos acréscimos do jogo contra o Corinthians. As duas goleadas de 4x0 sofridas para o Paysandu em menos de dois meses na temporada 2002. A fatídica perda do título da Copa Norte de 97 dentro de casa para o Rio Branco do Acre (!!!). Isso sem falar nos repetidos sucessos do nosso rival entre 2001 e 2003.

Hoje passamos por aquele que é certamente o mais difícil de nossa história. A ameaça do rebaixamento nunca foi tão real. E logo às vésperas do ano do centenário... Como o jogo é fora de casa, já fiz a minha parte daqui. Rezei para Nossa Senhora de Nazaré, a padroeira dos paraenses. Até promessa já fiz. Porque na atual conjuntura, só apelando para os céus mesmo. Agora é só aguardar Remo e Brasiliense se engalfinharem e esperar que o resultado desse jogo não aumente o meu quadro de lembranças negativas. Afinal, por mais que estejam com salários atrasados há cinco meses, os jogadores têm que fazer valer os versos do hino do clube: ¿honrando esta bandeira que paneja / nós todos saberemos com amor lutar / e nós atletas temos vigor / a nossa turma é toda de valor¿.

-- posted by Leonardo at 8:10 PM | |

Sexta-feira, Setembro 17, 2004

Eu bem que fiz as contas de uma forma extremamente otimista. Pensei em deixar meu cartão de crédito no limite do limite. E cogitei torrar as economias que não tenho. Motivo eu tenho. Mas não seria prudente. É, ver um show do Brian Wilson vai ficar para uma próxima oportunidade. Certamente fora do Brasil e daqui a muito tempo, mas muito mesmo. Espero que ele não leve o farelo como o fez Johnny Ramone esta semana. Que ele descanse em paz, aliás.

Por mais que a vinda do ex-Beach Boy seja o fato mais próximo da presença de Deus que a música possa proporcionar, a grana que isso demanda é algo assim demoníaco. Principalmente porque o mesmo Tim Festival em que Brian Wilson vai tocar também vai trazer os esporrentos dos Libertines, os guerrilheiros do Primal Scream e a tesuda da PJ Harvey. Um evento como esse não é que nem propaganda do Mastercard. Tem preço. E muito alto. Só de passagens aéreas Belém-São Paulo-Belém, seriam 1500 reais. Isso sem falar nos ingressos. O do Brian Wilson, que vai tocar numa noite sozinho, custa 150. PJ Harvey e Primal Scream tocam no mesmo dia - 80 pilas. Os Libertines tocam no outro - 60 contos. Sem patrocínio não dá. Infelizmente.

Por isso eu faço um apelo aos meus amigos que moram em São Paulo, no Rio ou em cidades próximas. Testemunhem esse capítulo da História e depois me contem. Ficarei orgulhoso de vocês.

-- posted by Leonardo at 11:39 AM | |

Sábado, Setembro 11, 2004

Cada macaco no seu galho

Quem acompanhava as transmissões do campeonato carioca pela Band no início dos anos 90 certamente lembra de Charles, aquele esforçado lateral-direito ex-Flamengo que quase nunca marcou gols. Aquele que acabou virando Charles Guerreiro graças às bravas atuações e à empolgada narração de Januário de Oliveira. Pois bem, Charles chegou a disputar alguns jogos pela seleção brasileira (um deles no lendário estádio de Wembley), passou pelo Vasco e encerrou a carreira no final de 2002, quando era volante do Remo. Hoje mora em Belém, sua cidade natal, onde administra uma pizzaria e vive do pé-de-meia que fez enquanto jogava no Rio.

Mas ele quer mais. Não contente em ter planos de se tornar técnico de futebol, Charles Guerreiro quer construir algo pela capital paraense e seus pacatos cidadãos. Se filiou ao PTB e é candidato a vereador nas eleições do próximo 3 de outubro. Aposta na popularidade junto aos fãs de futebol para se eleger. Tanto é que o slogan que estampa os banners espalhados pela cidade diz: "Onde a torcida vai, o Guerreiro vai atrás".

Seguindo pelas mesmas intenções está um outro ídolo recente, especificamente da torcida do Paysandu. O ex-centroavante Vandick se lança como candidato à Câmara Municipal de Belém pelo PMDB. Ele foi o herói do Paysandu na conquista da Copa dos Campeões em 2002 e acabou se tornando coordenador de futebol do clube após pendurar as chuteiras. Escolheu um slogan curto e objetivo: "O gol do povo". Esperto, não direcionou seu discurso no programa eleitoral para a torcida do Papão. Sabe que teria a antipatia de uma metade da população de Belém.

Seria engraçado imaginar a carreira política desses dois ex-jogadores fazendo uma analogia ao que eles fizeram nos gramados. Charles era um lateral um pouco limitado tecnicamente, mas compensava com garra e liderança dentro de campo. Marcou poucos gols. Pouquíssimos, aliás. Mas todos foram dignos de pintura - chutes de fora da área, outros por cobertura, uma coisa. Sendo assim, Charles seria um parlamentar de bancada de esquerda que briga muito, bota dedo na cara do outro e tem uma horda de "comandados". Faz poucos projetos, mas esses poucos são históricos e duradouros. Como a reforma de uma grande feira, por exemplo.

Vandick era um atacante que passava batido durante boa parte dos campeonatos, mas se destacava nos momentos decisivos. Na Segundona de 2001, marcou 8 gols nos 6 jogos do quadrangular decisivo e se tornou o herói do título. Na Copa dos Campeões, balançou a rede 3 vezes na final contra o Cruzeiro e levou a decisão para os pênaltis. O jogo terminou com a vitória - e o título inédito - do Paysandu. Na Câmara, Vandick seria um político discreto mas carismático. Promoveria caravanas nos bairros - daquelas que não servem pra porra nenhuma - só para cumprimentar os eleitores e manter a popularidade em alta. Só faria algo de concreto nos inícios de ano eleitoral. Seriam projetos populistas e eleitoreiros como distribuição de óculos, cortes de cabelo e mutirões para emissão de carteira de identidade.

Pensando bem, é melhor ficar com as lembranças dos dois nos gramados.

-- posted by Leonardo at 2:20 PM | |

Quarta-feira, Setembro 01, 2004

Bah, isso aqui parece que virou trincheira de guerra. Tá certo que aos poucos foi ficando divertido, mas não era essa a intenção, pelo amor de Deus. Fofoca? Que exagero. Tenho mais o que fazer da minha vida.

O post anterior não foi direcionado exclusivamente a um blog. Mas a toda uma conjuntura de etiqueta na internet. Quem leu com atenção, viu que a detonação dos dois últimos parágrafos é genérica, sem nome aos bois nem nada. Agora se a carapuça serviu, o problema não é meu.

O negócio é o seguinte: cada um tem o direito de escrever o que quiser e colocar os pirlimpimpins que quiser no seu respectivo blog. Mas eu também tenho o direito de não linkar se não gostar, por mais que a pessoa seja minha amiga. Não gosto de bloguinhos diários fofoletes com coisinhas rosas e letrinhas de músicas a cada post e NÃO LINKO MESMO.

Se quem tem blog assim faz sucesso e tem visitantes, parabéns. Se o número de giros no contador conforta alguém, fico feliz. Eu não ligo nem um pouco pra isso no meu. Se não gostou daqui, não precisa voltar. E passar bem.

-- posted by Leonardo at 1:22 PM | |

Sábado, Agosto 28, 2004

Amigos amigos, links à parte

Outro dia fui surpreendido no MSN por uma pergunta de uma amiga com quem não falava há algum tempo.

- Por que você me odeia?

Ressabiado, indaguei da garota de onde ela tinha tirado tal pensamento. Ela insistia dizendo que eu a odiava e etc. Depois de muito perguntar, consegui arrancar da pequena a justificatica.

- Tu me deslinkaste!

Pensei, pensei, pensei... E demorou a cair a ficha. Há algumas semanas eu tinha tirado o blog dela da lista de links do meu. Algo tão inofensivo quanto matar uma formiga.

- Por que tu fizeste isso?
- Ah... ah... é porque... eu não gosto do teu blog.
- Por quê?
- Porque não.
- Graaaaaaande resposta. Que criativo.
- Ah, eu simplesmente não gosto, ué.

Essas coisas me deixam meio puto com a etiqueta da internet. Essas coisas do tipo "ah, nunca mais foste no meu fotolog", "quando é que tu vais escrever um testimonial pra mim no Orkut?"... Pra mim é tudo bobagem. Frescura. Besteira. Tolice. Se eu não visito o teu blog, das duas uma: ou eu não ando com tempo de ler ou eu acho o teu blog ruim. Se eu não vejo o teu fotolog, é porque eu realmente não gosto de fotologs (a menos que tenha ninfetas ou decotes). E se eu não escrevi um testimonial pra vc no Orkut, é pq das três uma: ou eu não pensei em uma coisa bacana pra escrever, ou não tenho intimidade o suficiente pra isso ou simplesmente não acho que vc mereça um testimonial meu.

Outra coisa, se o seu blog é todo rosinha, ixcritu axim, com coisinhas meiguinhas flutuando na página ou coisitas do gênero, por favor não insista. E nem se você persiste em escrever sobre a sua vida triste, sobre a pobreza de espírito do ser humano, sobre como o mundo anda uma merda. É extremamente constrangedor pra mim falar na sua cara como tudo isso é chato.

-- posted by Leonardo at 1:24 PM | |

Quarta-feira, Agosto 25, 2004

Por mais que a audiência esteja cobrando, quero deixar bem claro que não haverá a continuação da história de Luís Felipe Scolari no comando do Remo. Em virtude das últimas derrotas do Leão Azul, meu desgosto acabou goleando a minha criatividade e a minha vontade de escrever. Acredito que nem Felipão, nem gênio do coco e nem ninguém consegue salvar o Mais Querido do Pará de um fiasco sem tamanho em pleno ano do centenário. Uma pena.

-- posted by Leonardo at 1:02 AM | |

Terça-feira, Agosto 03, 2004

Scolari veste azul marinho - parte 1

O reveillon de 2004 foi um dos mais tristes da vida do presidente do Remo, Ubirajara Salgado. A temporada anterior, que começara promissora com o título paraense conquistado com um aproveitamento de 100%, havia terminado com o time azulino escapando do rebaixamento para a série C na última rodada. Não bastassem os péssimos resultados do segundo semestre, havia ainda os problemas extra-campo. Os salários atrasados levaram boa parte dos jogadores a ir embora do Baenão. O pior de tudo é que 2005 era o ano do centenário do Leão, fato que aumentava a obrigação de uma campanha empolgante, que fizesse jus à festa.

Meia-noite, hora dos fogos. Em vez de abraçar todo mundo, Ubirajara só pensou no que seria do Remo naquela temporada tão festiva. A nação azulina não agüentava mais morrer na beirada na segundona e precisava de um título para acabar com as gozações dos rivais. Mas sabia que a falta de dinheiro não permitiria investimentos em jogadores mais do que medianos, política que deu errado nos dois anos anteriores. Pensando nisso, começou a falar sozinho.

- Pra salvar o Remo de um vexame no centenário, só se aparecesse um gênio da lâmpada...

Enquanto pronunciava a penúltima sílaba de "lâmpada", Ubirajara chutou um coco vazio que estava no chão. Quando articulou o "da", um "pufff!!!" ecoou tímido. Não era bem o que o presidente remista havia sugerido. Mas em tempos de sérias restrições orçamentárias, um gênio do coco já estava valendo.

- Senhor Ubirajara, sei muito bem da situação do seu clube. Mas não sou exatamente um gênio bonzinho. Lhe oferecer três pedidos seria benevolência demais ¿ disse o ser que surgiu do fruto do coqueiro.
- Unzinho já tá valendo! Unzinho só! - suplicou o cartola.
- Na verdade, vou lhe dar duas opções para salvar o Remo em 2005. Uma: qualquer craque do futebol mundial. Qualquer um mesmo, Zidane, Beckham, Ronaldinho Gaúcho, Henry... Ou a outra: qualquer treinador de prestígio, brasileiro ou estrangeiro.

Ubirajara, um cartola passado na casca do alho, e sabia que a primeira opção não seria tão vantajosa assim. Não adiantava de nada ter um Zidane no time se os companheiros de meiúca continuassem sendo pernetas como Márcio Belém e Rodrigo. Além do mais, uma estrela no meio de tantos broncos seria fator de desagregação no grupo. Por isso, a resposta ao gênio não demorou.

- Eu quero o Felipão comandando o Remo.

Eis que o gênio retrucou, à la Didi Mocó:

- Aguarde e confie.

Outro "pufff!" e a criatura mística some levando o coco. Ubirajara fica atônito num primeiro momento, calmo num segundo e extremamente bêbado no terceiro, no quarto e no quinto. Passa o restante do dia 1º de janeiro dormindo ou tentando curar a ressaca. Volta ao trabalho no dia 2 e dois minutos depois de entrar no escritório, ouve o telefone tocar. Como a secretária ainda não havia chegado, ele mesmo atende.

- Alô, doutor Ubirajara? Aqui é Scolari. Estou ligando pra dizer que aceito a sua proposta e estou pronto para dirigir o Remo. Quando eu devo começar?

O cartola não sabia o que fazer. Ficou trinta segundos mudo. Até que Scolari quebrou o silêncio.

- Já comprei minha passagem para Belém. Chego amanhã à noite. O senhor pode mandar alguém me buscar no aeroporto?

Ubirajara recuperou a lucidez.

- Claro, claro. Estaremos aguardando o senhor.

Ainda deu tempo de ligar para as redações dos jornais e anunciar a notícia. No dia seguinte, as manchetes estampavam o até então improvável. "Inacreditável! Felipão no Remo!", dizia O Liberal. "O melhor técnico do mundo está no Baenão", dizia o Diário do Pará. Carlos Ferreira, em seu comentário na televisão, fazia mais um de seus trocadilhos jocosos: "para o time pentacampeão paraense, o técnico pentacampeão do mundo".

Felipão só fez uma exigência. Que durante a chegada dele no aeroporto, fosse armado um esquema que pudesse lhe fazer driblar o assédio da imprensa e da torcida. Preferia deixar esse primeiro contato para o dia seguinte. Afinal, o vôo vindo de Lisboa foi muito demorado.

No dia seguinte, o treinador chegou de táxi na Toca do Leão. Estava atrasado. Pediu aos jornalistas que o entrevistassem só depois do treino e entrou rapidamente no vestiário para trocar de roupa. Subiu de dois em dois os degraus das escadas fuleiras do túnel que leva ao campo. Chamou os jogadores para o centro do gramado e deu suas primeiras palavras como comandante do clube mais querido do Pará.

- Bom dia. Meu nome é Luís Felipe Scolari e eu vim aqui pra fazer de vocês campeões brasileiros.

(continua...)

-- posted by Leonardo at 10:53 PM | |

Sexta-feira, Julho 30, 2004

Felicidade à parte, é preciso manter este espaço ativo. Afinal, é foda desperdiçar um cantinho na internet que pode ser muito útil.

Deixa eu tentar resumir um pouco o que anda acontecendo ultimamente... Troquei de emprego. Agora sou repórter do SBT, funcionário do "seo" Silvio e colega do Roque. Recusei uma proposta para fazer uma campanha política no interior do Pará, apesar da grana violenta que me foi oferecida. Minha matéria sobre os hotéis de selva vai ser capa da revista Viagem e Turismo em setembro (comprem! leiam! comentem!). Vai sair uma matéria minha sobre o Peladão de Manaus na Placar de agosto. Adorei o disco novo do Graham Coxon, "Happiness In Magazines". Adorei "Homem Aranha 2" e não me sinto ridículo ao dizer isso. Estou apaixonado e correspondido. Lembram dELA? Do post do dia 13 de maio? Pois é, ergui a taça. Aliás, falando em futebol, ando meio desiludido com este esporte. Chateado com a péssima campanha do Remo e com o baixo nível do campeonato brasileiro. Estou viciado é no Brasfoot, o joguinho mais primitivo daqueles do estilo football manager.

Ah, e alguém se habilita a bolar um layout bacana para este blog?

-- posted by Leonardo at 10:55 AM | |

Quarta-feira, Julho 21, 2004

Eu ando meio em dívida com este espaço. Dez dias sem escrever nada é quase descaso. Mas o lance é o seguinte: blog é coisa de gente triste. E eu tô feliz PRA CARALHO.

-- posted by Leonardo at 12:05 PM | |





-- SOBRE O AUTOR...
Leonardo, 21 anos, Belém-PA, jornalista recém-formado. Música, cinema, jornalismo, futebol, trivialidades em geral.

-- CONTATO...
email 01 | email 02
ICQ: 67320063

-- ARQUIVOS...

-- OUTROS BLOGS...
Aleatório
All Good Children Go To Heaven
All Things Must Pass
Bad Cover Versions
Gata Mestra
Jornalista de Merda
Karushenka
Laying On The Bathroom Floor...
Mary Jo And The Dream Of Horses
Médici Land
Musik Non Stop
Não é Fácil A Vida dos Outros
New Indie Music
No One Knows The Future
Nowhere Land
Oficina Irritada
Perplexões
Private Hell
Rock N´Roll Suicide
Sorocaba In Rio
Step On The Gas!
Tadpolemonster

-- LINKS...
Abacaxi Atômico
Bloda
Cinema Em Cena
Cocadaboa
De Primeira
Miriti
Norte Ao Rock
Pelezinho Voador
Segundona.com
South Park Create-a-Character
XGol

-- NO SOM...
Beatles, Clash, David Bowie, The Who, Oasis, Suede, Pulp, Cardigans, Aimee Mann, Bernard Butler, Manic Street Preachers, Iggy Pop, Sex Pistols, Jesus And Mary Chain, Supergrass, Serge Gainsbourg, Al Green, Isaac Hayes, Marvin Gaye, Los Hermanos, Cachorro Grande

-- NO CINEMA...
Laranja Mecânica, De Volta Para o Futuro, Cidade dos Sonhos, 2001: Uma Odisséia no Espaço, Magnólia, Alta Fidelidade, Dr. Fantástico, Quanto Mais Quente Melhor (e os outros filmes do Billy Wilder), Festim Diabólico (e tudo o mais do Alfred Hitchcock), Desconstruindo Harry (e toda a filmografia recente do Woody Allen)





Love_Less  - New Order Song Adoption

Don't Look Back

Real Love  -  Smashing Pumpkins Song Adoption




Weblog Commenting and Trackback by HaloScan.com