Sábado, Agosto 28, 2004

Amigos amigos, links à parte

Outro dia fui surpreendido no MSN por uma pergunta de uma amiga com quem não falava há algum tempo.

- Por que você me odeia?

Ressabiado, indaguei da garota de onde ela tinha tirado tal pensamento. Ela insistia dizendo que eu a odiava e etc. Depois de muito perguntar, consegui arrancar da pequena a justificatica.

- Tu me deslinkaste!

Pensei, pensei, pensei... E demorou a cair a ficha. Há algumas semanas eu tinha tirado o blog dela da lista de links do meu. Algo tão inofensivo quanto matar uma formiga.

- Por que tu fizeste isso?
- Ah... ah... é porque... eu não gosto do teu blog.
- Por quê?
- Porque não.
- Graaaaaaande resposta. Que criativo.
- Ah, eu simplesmente não gosto, ué.

Essas coisas me deixam meio puto com a etiqueta da internet. Essas coisas do tipo "ah, nunca mais foste no meu fotolog", "quando é que tu vais escrever um testimonial pra mim no Orkut?"... Pra mim é tudo bobagem. Frescura. Besteira. Tolice. Se eu não visito o teu blog, das duas uma: ou eu não ando com tempo de ler ou eu acho o teu blog ruim. Se eu não vejo o teu fotolog, é porque eu realmente não gosto de fotologs (a menos que tenha ninfetas ou decotes). E se eu não escrevi um testimonial pra vc no Orkut, é pq das três uma: ou eu não pensei em uma coisa bacana pra escrever, ou não tenho intimidade o suficiente pra isso ou simplesmente não acho que vc mereça um testimonial meu.

Outra coisa, se o seu blog é todo rosinha, ixcritu axim, com coisinhas meiguinhas flutuando na página ou coisitas do gênero, por favor não insista. E nem se você persiste em escrever sobre a sua vida triste, sobre a pobreza de espírito do ser humano, sobre como o mundo anda uma merda. É extremamente constrangedor pra mim falar na sua cara como tudo isso é chato.

-- posted by Leonardo at 1:24 PM | |

Quarta-feira, Agosto 25, 2004

Por mais que a audiência esteja cobrando, quero deixar bem claro que não haverá a continuação da história de Luís Felipe Scolari no comando do Remo. Em virtude das últimas derrotas do Leão Azul, meu desgosto acabou goleando a minha criatividade e a minha vontade de escrever. Acredito que nem Felipão, nem gênio do coco e nem ninguém consegue salvar o Mais Querido do Pará de um fiasco sem tamanho em pleno ano do centenário. Uma pena.

-- posted by Leonardo at 1:02 AM | |

Terça-feira, Agosto 03, 2004

Scolari veste azul marinho - parte 1

O reveillon de 2004 foi um dos mais tristes da vida do presidente do Remo, Ubirajara Salgado. A temporada anterior, que começara promissora com o título paraense conquistado com um aproveitamento de 100%, havia terminado com o time azulino escapando do rebaixamento para a série C na última rodada. Não bastassem os péssimos resultados do segundo semestre, havia ainda os problemas extra-campo. Os salários atrasados levaram boa parte dos jogadores a ir embora do Baenão. O pior de tudo é que 2005 era o ano do centenário do Leão, fato que aumentava a obrigação de uma campanha empolgante, que fizesse jus à festa.

Meia-noite, hora dos fogos. Em vez de abraçar todo mundo, Ubirajara só pensou no que seria do Remo naquela temporada tão festiva. A nação azulina não agüentava mais morrer na beirada na segundona e precisava de um título para acabar com as gozações dos rivais. Mas sabia que a falta de dinheiro não permitiria investimentos em jogadores mais do que medianos, política que deu errado nos dois anos anteriores. Pensando nisso, começou a falar sozinho.

- Pra salvar o Remo de um vexame no centenário, só se aparecesse um gênio da lâmpada...

Enquanto pronunciava a penúltima sílaba de "lâmpada", Ubirajara chutou um coco vazio que estava no chão. Quando articulou o "da", um "pufff!!!" ecoou tímido. Não era bem o que o presidente remista havia sugerido. Mas em tempos de sérias restrições orçamentárias, um gênio do coco já estava valendo.

- Senhor Ubirajara, sei muito bem da situação do seu clube. Mas não sou exatamente um gênio bonzinho. Lhe oferecer três pedidos seria benevolência demais ¿ disse o ser que surgiu do fruto do coqueiro.
- Unzinho já tá valendo! Unzinho só! - suplicou o cartola.
- Na verdade, vou lhe dar duas opções para salvar o Remo em 2005. Uma: qualquer craque do futebol mundial. Qualquer um mesmo, Zidane, Beckham, Ronaldinho Gaúcho, Henry... Ou a outra: qualquer treinador de prestígio, brasileiro ou estrangeiro.

Ubirajara, um cartola passado na casca do alho, e sabia que a primeira opção não seria tão vantajosa assim. Não adiantava de nada ter um Zidane no time se os companheiros de meiúca continuassem sendo pernetas como Márcio Belém e Rodrigo. Além do mais, uma estrela no meio de tantos broncos seria fator de desagregação no grupo. Por isso, a resposta ao gênio não demorou.

- Eu quero o Felipão comandando o Remo.

Eis que o gênio retrucou, à la Didi Mocó:

- Aguarde e confie.

Outro "pufff!" e a criatura mística some levando o coco. Ubirajara fica atônito num primeiro momento, calmo num segundo e extremamente bêbado no terceiro, no quarto e no quinto. Passa o restante do dia 1º de janeiro dormindo ou tentando curar a ressaca. Volta ao trabalho no dia 2 e dois minutos depois de entrar no escritório, ouve o telefone tocar. Como a secretária ainda não havia chegado, ele mesmo atende.

- Alô, doutor Ubirajara? Aqui é Scolari. Estou ligando pra dizer que aceito a sua proposta e estou pronto para dirigir o Remo. Quando eu devo começar?

O cartola não sabia o que fazer. Ficou trinta segundos mudo. Até que Scolari quebrou o silêncio.

- Já comprei minha passagem para Belém. Chego amanhã à noite. O senhor pode mandar alguém me buscar no aeroporto?

Ubirajara recuperou a lucidez.

- Claro, claro. Estaremos aguardando o senhor.

Ainda deu tempo de ligar para as redações dos jornais e anunciar a notícia. No dia seguinte, as manchetes estampavam o até então improvável. "Inacreditável! Felipão no Remo!", dizia O Liberal. "O melhor técnico do mundo está no Baenão", dizia o Diário do Pará. Carlos Ferreira, em seu comentário na televisão, fazia mais um de seus trocadilhos jocosos: "para o time pentacampeão paraense, o técnico pentacampeão do mundo".

Felipão só fez uma exigência. Que durante a chegada dele no aeroporto, fosse armado um esquema que pudesse lhe fazer driblar o assédio da imprensa e da torcida. Preferia deixar esse primeiro contato para o dia seguinte. Afinal, o vôo vindo de Lisboa foi muito demorado.

No dia seguinte, o treinador chegou de táxi na Toca do Leão. Estava atrasado. Pediu aos jornalistas que o entrevistassem só depois do treino e entrou rapidamente no vestiário para trocar de roupa. Subiu de dois em dois os degraus das escadas fuleiras do túnel que leva ao campo. Chamou os jogadores para o centro do gramado e deu suas primeiras palavras como comandante do clube mais querido do Pará.

- Bom dia. Meu nome é Luís Felipe Scolari e eu vim aqui pra fazer de vocês campeões brasileiros.

(continua...)

-- posted by Leonardo at 10:53 PM | |





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Leonardo, 21 anos, Belém-PA, jornalista recém-formado. Música, cinema, jornalismo, futebol, trivialidades em geral.

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