Sexta-feira, Setembro 24, 2004
Este é um dos melhores textos sobre futebol que já escrevi. Publiquei originalmente hoje mesmo no
De Primeira, mas a situação permite que eu o traga para cá. Afinal amanhã é o dia de um dos jogos mais importantes da história do meu time. Espero que gostem da crônica.
Amar é...
É muito fácil amar uma mulher gostosa. Daquelas que vivem fazendo ginástica e envelhecem sem precisar de plástica ou botox. Se ela for inteligente e tiver senso de humor, a tarefa se torna ainda mais simples. Bastam dois minutos de conversa para você achar que ela é o amor da sua vida. Mas ninguém ama mais do que aquele que ama uma baranga. Uma daquelas que um dia já foi magrinha e teve corpinho de violão. Um amor que sobrevive ao bucho, à celulite, à menopausa, às rugas e aos cabelos brancos é mais sincero que qualquer outro.
O mesmo raciocínio vale para o futebol. Não há torcedor mais admirável que o do time que nunca ganha. Aquele que está presente na derrota e no desgosto, até porque não tem outra opção. Uma paixão clubística que sobrevive a goleadas sofridas, jejuns de títulos, rebaixamentos e outras humilhações é nobre. Bem diferente da admiração por um clube da moda, daqueles que ganham tudo e mais um pouco, atitude digna de repulsa e típica de patricinhas ou rapazes que não gostam de futebol.
Considero o meu amor pelo Clube do Remo um sentimento merecedor dessa nobreza a que me refiro. Talvez seja mais que um sentimento. Uma virtude, provavelmente. Afinal, é difícil explicar essa paixão àqueles que não a sentem. Parece improvável se envolver tanto com um clube que está longe da elite do futebol brasileiro e nem ostenta títulos importantes fora do âmbito estadual. Melhor não tentar entender.
As glórias remistas são modestas. Temos 40 títulos estaduais, o mesmo número do nosso maior rival. Fomos pentacampeões entre 1993 e 1997, a maior seqüência de títulos da era profissional do futebol paraense. E passamos quatro anos e seis meses sem perder um clássico sequer para aquela coisa do outro lado da Almirante Barroso que atende pelo nome de Paysandu. Perto do que o time listrado conseguiu nos últimos anos é quase nada. Mas quem se importa? O amor tem razões que a própria razão desconhece.
Tenho algumas lembranças do início da minha saga como torcedor do Filho da Glória e do Triunfo (reparem que até o apelido é pomposo). Muitas são boas. O tricampeonato entre 89 e 91, conquistado pela equipe que recebeu a alcunha de Esquadrão Cabano. A vitória de 5x2 sobre a Portuguesa, que garantiu a classificação para a fase final do Brasileirão de 93. A goleada de 5x1 sobre o Cruzeiro em pleno Mineirão, em 94. O golaço do Rogério Belém nos 4x0 em um dos Re-Pa do Parazão 96. O pentacampeonato. Cada jogo do tabu sobre o Paysandu. A campanha 100% do título estadual em 2004. A classificação para a fase final da Copa João Havelange com uma virada espetacular em cima do Paysandu. As chuvas que eu peguei na arquibancada do Baenão lotado. Ufa...
Mas há, provavelmente, mais lembranças ruins. As eliminações da Segundona quando o acesso parecia ser inevitável, em 89, 95 e 96. Os anos em que quase caímos para a Terceirona e nos salvamos na última rodada, como em 97 e 99. O gol contra de Castor que nos eliminou da Copa do Brasil de 96 nos acréscimos do jogo contra o Corinthians. As duas goleadas de 4x0 sofridas para o Paysandu em menos de dois meses na temporada 2002. A fatídica perda do título da Copa Norte de 97 dentro de casa para o Rio Branco do Acre (!!!). Isso sem falar nos repetidos sucessos do nosso rival entre 2001 e 2003.
Hoje passamos por aquele que é certamente o mais difícil de nossa história. A ameaça do rebaixamento nunca foi tão real. E logo às vésperas do ano do centenário... Como o jogo é fora de casa, já fiz a minha parte daqui. Rezei para Nossa Senhora de Nazaré, a padroeira dos paraenses. Até promessa já fiz. Porque na atual conjuntura, só apelando para os céus mesmo. Agora é só aguardar Remo e Brasiliense se engalfinharem e esperar que o resultado desse jogo não aumente o meu quadro de lembranças negativas. Afinal, por mais que estejam com salários atrasados há cinco meses, os jogadores têm que fazer valer os versos do hino do clube: ¿honrando esta bandeira que paneja / nós todos saberemos com amor lutar / e nós atletas temos vigor / a nossa turma é toda de valor¿.
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8:10 PM |
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Sexta-feira, Setembro 17, 2004
Eu bem que fiz as contas de uma forma extremamente otimista. Pensei em deixar meu cartão de crédito no limite do limite. E cogitei torrar as economias que não tenho. Motivo eu tenho. Mas não seria prudente. É, ver um show do Brian Wilson vai ficar para uma próxima oportunidade. Certamente fora do Brasil e daqui a muito tempo, mas muito mesmo. Espero que ele não leve o farelo como o fez Johnny Ramone esta semana. Que ele descanse em paz, aliás.
Por mais que a vinda do ex-Beach Boy seja o fato mais próximo da presença de Deus que a música possa proporcionar, a grana que isso demanda é algo assim demoníaco. Principalmente porque o mesmo Tim Festival em que Brian Wilson vai tocar também vai trazer os esporrentos dos Libertines, os guerrilheiros do Primal Scream e a tesuda da PJ Harvey. Um evento como esse não é que nem propaganda do Mastercard. Tem preço. E muito alto. Só de passagens aéreas Belém-São Paulo-Belém, seriam 1500 reais. Isso sem falar nos ingressos. O do Brian Wilson, que vai tocar numa noite sozinho, custa 150. PJ Harvey e Primal Scream tocam no mesmo dia - 80 pilas. Os Libertines tocam no outro - 60 contos. Sem patrocínio não dá. Infelizmente.
Por isso eu faço um apelo aos meus amigos que moram em São Paulo, no Rio ou em cidades próximas. Testemunhem esse capítulo da História e depois me contem. Ficarei orgulhoso de vocês.
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11:39 AM |
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Sábado, Setembro 11, 2004
Cada macaco no seu galho
Quem acompanhava as transmissões do campeonato carioca pela Band no início dos anos 90 certamente lembra de Charles, aquele esforçado lateral-direito ex-Flamengo que quase nunca marcou gols. Aquele que acabou virando Charles Guerreiro graças às bravas atuações e à empolgada narração de Januário de Oliveira. Pois bem, Charles chegou a disputar alguns jogos pela seleção brasileira (um deles no lendário estádio de Wembley), passou pelo Vasco e encerrou a carreira no final de 2002, quando era volante do Remo. Hoje mora em Belém, sua cidade natal, onde administra uma pizzaria e vive do pé-de-meia que fez enquanto jogava no Rio.
Mas ele quer mais. Não contente em ter planos de se tornar técnico de futebol, Charles Guerreiro quer construir algo pela capital paraense e seus pacatos cidadãos. Se filiou ao PTB e é candidato a vereador nas eleições do próximo 3 de outubro. Aposta na popularidade junto aos fãs de futebol para se eleger. Tanto é que o slogan que estampa os banners espalhados pela cidade diz: "Onde a torcida vai, o Guerreiro vai atrás".
Seguindo pelas mesmas intenções está um outro ídolo recente, especificamente da torcida do Paysandu. O ex-centroavante Vandick se lança como candidato à Câmara Municipal de Belém pelo PMDB. Ele foi o herói do Paysandu na conquista da Copa dos Campeões em 2002 e acabou se tornando coordenador de futebol do clube após pendurar as chuteiras. Escolheu um slogan curto e objetivo: "O gol do povo". Esperto, não direcionou seu discurso no programa eleitoral para a torcida do Papão. Sabe que teria a antipatia de uma metade da população de Belém.
Seria engraçado imaginar a carreira política desses dois ex-jogadores fazendo uma analogia ao que eles fizeram nos gramados. Charles era um lateral um pouco limitado tecnicamente, mas compensava com garra e liderança dentro de campo. Marcou poucos gols. Pouquíssimos, aliás. Mas todos foram dignos de pintura - chutes de fora da área, outros por cobertura, uma coisa. Sendo assim, Charles seria um parlamentar de bancada de esquerda que briga muito, bota dedo na cara do outro e tem uma horda de "comandados". Faz poucos projetos, mas esses poucos são históricos e duradouros. Como a reforma de uma grande feira, por exemplo.
Vandick era um atacante que passava batido durante boa parte dos campeonatos, mas se destacava nos momentos decisivos. Na Segundona de 2001, marcou 8 gols nos 6 jogos do quadrangular decisivo e se tornou o herói do título. Na Copa dos Campeões, balançou a rede 3 vezes na final contra o Cruzeiro e levou a decisão para os pênaltis. O jogo terminou com a vitória - e o título inédito - do Paysandu. Na Câmara, Vandick seria um político discreto mas carismático. Promoveria caravanas nos bairros - daquelas que não servem pra porra nenhuma - só para cumprimentar os eleitores e manter a popularidade em alta. Só faria algo de concreto nos inícios de ano eleitoral. Seriam projetos populistas e eleitoreiros como distribuição de óculos, cortes de cabelo e mutirões para emissão de carteira de identidade.
Pensando bem, é melhor ficar com as lembranças dos dois nos gramados.
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2:20 PM |
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Quarta-feira, Setembro 01, 2004
Bah, isso aqui parece que virou trincheira de guerra. Tá certo que aos poucos foi ficando divertido, mas não era essa a intenção, pelo amor de Deus. Fofoca? Que exagero. Tenho mais o que fazer da minha vida.
O post anterior não foi direcionado exclusivamente a um blog. Mas a toda uma conjuntura de etiqueta na internet. Quem leu com atenção, viu que a detonação dos dois últimos parágrafos é genérica, sem nome aos bois nem nada. Agora se a carapuça serviu, o problema não é meu.
O negócio é o seguinte: cada um tem o direito de escrever o que quiser e colocar os pirlimpimpins que quiser no seu respectivo blog. Mas eu também tenho o direito de não linkar se não gostar, por mais que a pessoa seja minha amiga. Não gosto de bloguinhos diários fofoletes com coisinhas rosas e letrinhas de músicas a cada post e NÃO LINKO MESMO.
Se quem tem blog assim faz sucesso e tem visitantes, parabéns. Se o número de giros no contador conforta alguém, fico feliz. Eu não ligo nem um pouco pra isso no meu. Se não gostou daqui, não precisa voltar. E passar bem.
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1:22 PM |
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